terça-feira, 22 de maio de 2018

A Poesia de Carlos Drummond de Andrade


O Arco

Que quer o anjo? chamá-la. 
Que quer a alma? perder-se.
Perder-se em rudes guianas
para jamais encontrar-se.

Que quer a voz? encantá-lo.
Que quer o ouvido? embeber-se
de gritos blasfematórios
até quedar aturdido.
Que quer a nuvem? raptá-lo.
Que quer o corpo? solver-se,
delir memória de vida
e quanto seja memória.
Que quer a paixão? detê-lo.
Que quer o peito? fechar-se
contra os poderes do mundo
para na treva fundir-se.
Que quer a canção? erguer-se
em arco sobre os abismos.
Que quer o homem? salvar-se.
ao prêmio de uma canção.





Obrigada pela sua presença. Volte sempre!




segunda-feira, 21 de maio de 2018

Artesanato: Biscuit

Mais umas peças de biscuit que terminei e cujo trabalho partilho com os vistantes do Açor.






Obrigada pela sua presença. Volte sempre!




sexta-feira, 18 de maio de 2018

Porque É Fim de Semana: Casal Vasco

Porque  é Fim  de Semana, vamos prosseguir na descoberta  das  freguesias  do  concelho de  Fornos de Algodres.
Hoje vamos dedicar-nos à freguesia de Casal Vasco.


O topónimo desta povoação deve-se, segundo monsenhor Pinheiro Marques, na sua monografia "Terras de Algodres", ao facto desta povoação ser no seu início, um casal, propriedade dum  senhor chamado Vasco. Não existe qualquer documento   que comprove a origem do mesmo. 
No século XIV, uns fidalgos com o apelido Mendes de Cáceres, que alguns defendem terem sido  judeus fugidos  de Castela, fundaram o Solar dos Cáceres na povoação.
Em 1481, Luiz de Cáceres instituiu na povoação o vínculo e capela de Nossa Senhora da Encarnação.



Em 1525, no Cadastro da População do Reino,  de D. Joao III, a povoação aparecia com o topónimo de "Casal Vasio".
Em Casal Vasco como em outras    freguesias do concelho de Fornos de Algodres,  podem-se  admirar muitos vestígios de judeus  (cristãos-novos), como é o caso  do solar dos  de Cáceres, onde as características judaicas estão bem evidentes. 



O orago da aldeia é Santo Antonio.
A Igreja Matriz data do seculo XVIII e deve ter sido construída no local onde terá existido outra mais antiga. De arquitectura de estilo barroco tem torre sineira, onde sobressai uma escultura de uma cabeça humana com aspecto um pouco estranho.
A imagem do padroeiro, Santo António, pode ser a da antiga capela.

Existem ainda, na aldeia, vários templos religiosos dos quais destaco:


- Capela do Senhor dos Loureiros
Construída no seculo XVI, tinha nessa altura  como oragos Santo António e Santa Catarina.
Só no século XVIII, passou a ter  o actual padroeiro.
A construção é renascentista e, na fachada, sob uma das janelas destaca-se uma figura de  cabeca humana, que talvez fosse  parte duma escultura pré-romana.


- Capela de Nossa Senhora da Graça
É uma pequena capela renascentista, que poderá datar do século XVII. Tem um pequeno campanário em cantaria e um portal com verga curva.




- Capela da Senhora da Encarnação
Este belo templo foi construído em granito com ameias e  um campanério românico, a rematar a fachada principal. Nesta capela foi instituido um vínculo patrimonial por Luiz de Caceres em 1481.
Foi  restaurado  e, actualmente, pertence  à Paróquia.

Para além deste património religioso, destaco ainda:



- Solar dos Cáceres

Este solar  é um edifício do século XIV,  em granito, onde sobressaem  janelas quinhentistas,  todas em cantaria, mas com trabalhados diferentes (característica Judaica) e o  brazão dos Albuquerques.
Após terem sido efectuadas obras de restauro, o solar passou a funcionar para turismo de habitação.



- Sepulturas

Nos limites da freguesia foram descobertas duas sepulturas escavadas na rocha, sendo uma delas antropomórfica.


Da freguesia de Casal Vasco faz também parte a aldeia de Ramirão, que foi sede de uma Paróquia desde a época medieval cujo orago era São Sebastião. 
Esta Paróquia foi extinta e integrada na  de Casal Vasco, concelho de Fornos de Algodres



Fontes:Wikipédia e  Blogs de Algodres
Fotos: Net



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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Pelos Caminhos de Portugal: Alcácer do Sal

Continuando a percorrer a  costa alentejana, vamos até Alcácer do Sal,  uma localidade muito antiga, como comprovam os vestígios arqueológicos encontrados que apontam para a existência de vida na região, há mais de 40 mil anos. 




Vários povos passaram por esta localidade, até que em 1217 foi, definitivamente, conquistada aos Mouros.
Em 1218, recebeu foral e a Ordem de Santiago fixou ali a sua sede.
Foi elevada a cidade a 12 de Julho de 1997.
Alcácer do Sal é actualmente sede dum município formado por  4 freguesias: Alcácer do Sal  e Santa Susana, Comporta, São Martinho e Torrão.
Na cidade existem duas paróquias, que correspondem a duas antigas freguesias: Santa Maria do Castelo e São Tiago.

- Santa Maria do Castelo tem por orago Santa Maria


A igreja situa-se  na zona mais antiga da cidade e foi construída no local onde anteriormente existia um templo romano e uma mesquita muçulmana. 
O edifício actual foi fundado pela Ordem de Santiago, após a  reconquista da cidade aos Mouros, por D. Afonso II, em 1217.
Actualmente, a igreja apresenta ainda características arquitectónicas românicas, mas as obras de melhoramentos de que foi alvo,  ao longo dos anos, alterou bastante o traçado inicial.
No interior tem três naves onde se destacam o púlpito setecentista, suportado por um anjo, a talha dourada das capelas, os revestimentos em azulejos e os traços góticos, manuelinos e barrocos.

- São Tiago tem como orago São Tiago


A Igreja   é bastante antiga, mas desconhece-se a data da sua construção. 
No século  XVII, era já pequena para as necessidades da população e D. João V,  Grão-mestre da Ordem de Santiago, ordenou que se fizessem obras de beneficiação e alargamento. 
Situada ao cimo duma grande escadaria, tem um exterior  simples, com duas torres sineiras.
O interior é formado por uma só nave onde se destacam as pinturas, a talha e os painéis de azulejos.
Em 1634, o rei Filipe III de Portugal, tornou-a sede de freguesia. 
Na cidade, existem vários templos que merecem referência. São eles:

- Igreja da Misericórdia



Esta igreja foi construída em 1547, conforme consta numa inscrição numa das suas portas.
Tem um corpo comum à nave e capela-mor e nela se destacam  influências manuelinas, maneiristas e barrocas.

- Igreja do Convento  de Santo António 



Fundado em 1524, durante o reinado de D. João III, por Dona Violante Henriques, o Convento tem uma igreja em cujo exterior  se  destacam as arcadas suportadas por colunas.
No seu interior, alberga  um dos mais importantes exemplares da arquitectura renascentista de Portugal: a Capela das Onze Mil Virgens, construída em  mármore branco.

 Igreja do Senhor dos Mártires 



Este local teve várias funções desde Idade do Ferro. Inicialmente era a Necrópole pública, depois uma ermida de romagem e panteão dos mestres da Ordem de Santiago durante a Idade Média.
As construções iniciaram-se na época da reconquista, pelos cavaleiros de Santiago sendo melhoradas no século XIV e transformadas desde o século XVI.
Este edifício é composto pelo corpo central da igreja, pela capela-mor e por um alpendre.


- Igreja de Nossa Senhora da Graça



Este templo fica situado junto ao mercado municipal. Tem  planta rectangular, com altar-mor e sacristia. O exterior do templo é modesto, embora apresente elementos em baixo-relevo na fachada principal. No interior o destaque vai para a talha dourada.

- Igreja de Nossa Senhora de Aracoeli



Esta igreja, situada  no interior do castelo, faz parte da pousada de D. Afonso II ali existente.
Calcula-se que a igreja terá sido fundada, após a conquista definitiva desta localidade, aproveitando a mesquita privada do último Governador muçulmano.
Ali se  instalou a Sede e Convento da Ordem de Santiago, recebendo por orago  Santiago.  Depois da mudança da sede desta Ordem para Palmela, a igreja foi votada ao abandono.
Desde de finais do século XVI e até meados do século XIX, a igreja voltou a ser usada tendo novamente a padroeira inicial,  Nª Sª de Aracoeli. 

- Igreja do Espírito Santo



A Igreja do Espírito Santo terá sido construída entre os séculos XIV e XV, integrada no edifício dum hospital, da qual restam apenas um portal manuelino e a pia batismal. Tem nave  única com características manuelinas, maneiristas e rococós.
Desde 1914, passou a funcionar neste espaço o Museu Municipal Pedro Nunes, onde se encontra exposto o espólio arqueológico descoberto no concelho, correspondente  à Idade do Ferro e às ocupações romana e árabe.


Do património de Alcácer do Sal destacam-se ainda:
- Castelo



O Castelo construído pelos muçulmanos foi ocupado desde o século VI a.C..
Em 1217, foi conquistado definitivamente pelas tropas portuguesas.
No século XVI a Ordem das Carmelitas de Aracoelli fundou, no castelo, o seu convento que só abandonariam em 1834. 


- Solar dos Salemas




Este solar  situado na zona  histórica da cidade, foi mandado construir por Rui Salema. 
Actualmente ali  funciona  a biblioteca municipal.





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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Anomalias nos Posts

Há algum tempos que venho a notar que muitos dos posts que vou agendando, são publicadas com alterações tanto nas fontes como no tamanho. Estas situações ultrapassam os meus parcos conhecimentos informáticos e, por essa razão, alerto que não sei qual a razão para tal acontecer.
Apresento as minhas desculpas, aos leitores do blog, apesar de me sentir alheia a esta situação. Sempre que conseguir, farei todas as alterações para que tudo fique dentro da normalidade.









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