segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Travancinha

Travancinha é sede duma  freguesia do concelho de Seia, no sopé da serra da Estrela. 
Esta pitoresca aldeia, como muitas povoações da região, é bastante antiga e apresenta vestígios de um velho castro, uma calçada romana e várias sepulturas cavadas na rocha. 

O nome Travanca, diminutivo arcaico de Travancinha, apareceu referido nas ordens régias de D. SanchoI, cuja esposa, D. Dulce, comprou o senhorio desta terra, que mais tarde deixou em herança a sua filha D. Mafalda.
No entanto, a criação da freguesia é posterior ao século XIV. 
O Casal de Travancinha foi outrora um concelho com foral concedido por D. Manuel I, em 1514, possuindo uma Câmara Municipal, Tribunal e Cadeia. 



Testemunho dessa  época, embora bastante degradado,O  o pelourinho ainda se encontra de pé.



O orago de Travancinha é Nossa Senhira do Rosário.
A Igreja Matriz , provavelmente construída no século XVIII, sofreu obras de  restauro nos anos de 1999/2000 e nela se destaca um retábulo-mor neogótico.
Do património religioso desta localidade, destacam-se ainda:

-Capela de Nossa Senhora da Ajuda;

Este templo fica situado no bairro de S. Gião. 
Nele se destaca a imagem da padroeira construída em granito.

-Capela de Nossa Senhora das Virtudes;

A ermida de Nossa Senhora das Virtudes, foi construída em 1742, como comprova a inscrição no campanário e foi mandada edificar por um fidalgo nobre da zona do baixo Mondego, cumprindo a promessa de ali mandar construir uma capela, se o filho doente se salvasse.

-Capela de Nossa Senhora da Saúde;

Esta era a antiga capela de São Bento e fica situada no Casal. Tem a sua festa anual em louvor de Nossa Senhora da Saúde, no domingo de Pascoela.


-Capela de São Sebastião;

Situado no bairro do Corro, este templo serviu como capela mortuária até Outubro de 2008, altura em que foi inaugurada a casa mortuária entre a igreja e o cemitério.




Fonte: Junta de Freguesia de Travancinha


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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Porque é fim de semana: Figueiró da Serra

Porque  é  fim  de  semana, vamos  prosseguir  na descoberta das localidades do concelho de Gouveia e seguimos para Figueiró da Serra.




Figueiró da Serra é uma antiga freguesia portuguesa que, no âmbito de uma reforma administrativa nacional de 2013, foi agregada com Freixo da Serra para formar a União das freguesias de Figueiró da Serra e Freixo da Serra.
Local de povoamento muito antigo, como comprovam vestígios arqueológicos da pré-história encontrados nos Penedos dos Mouros e no lugar da Cruz. 
Encontraram-se também várias Sepulturas Antropomórficas espalhadas pela aldeia, de época desconhecida e um troço duma calçada romana. 
Figueiró da Serra pertenceu ao concelho de Linhares até 1855, altura em que transitou para o município de Gouveia.

No brasão de armas da freguesia, destaca-se a cruz oitavada da Ordem de Malta, que foi proprietária de terras na freguesia.
A padroeira da aldeia é a Nossa Senhora da Conceição.
Do património desta localidade destaco:

- Igreja Matriz

Inicialmente a Igreja Paroquial era uma capela, propriedade  dos frades da Ordem de Malta ou do Hospital (Hospitalários). Mais tarde, foi deslocada para o local actual.
A Igreja foi ampliada em 1810 e em 1817 foi construída a Capela-Mor. Em 1940, foi restaurada e são dessa época os altares, em estilo renascença de talha dourada.

- Capela da Santa Eufémia



Situada na zona central da povoação, esta Capela, em 1721 era dedicada a S. Miguel o Anjo. Em 1845 foi restaurada e nela foram colocados dois painéis, um representando S. Miguel o Anjo e outro com a imagem de Santa Eufémia, que se pensa serem da autoria de Nuno Gonçalves. Nesta Capela realizam-se grandes festejos em honra de Santa Eufémia a 15 e 16 de Setembro. 

- Capela de São João Baptista
Esta antiquíssima Capela fica situada próximo da Capela de Santa Eufémia.

- Vestígios judaicos
Destacam-se ainda as Alminhas e a janela de uma habitação tradicional com inscrições e símbolos cristãs novos.

Museu Etnográfico e um museu de Arte Sacra



Casas Senhoriais 


Existem na aldeia várias  casas senhoriais, cujos proprietários foram  donos  de grande parte dos terrenos da freguesia.

Cruzeiro:


Situado no bairro com o mesmo nome, comemora o VIII centenário da Independência e o III da Restauração de Portugal.

Sepulturas Antropomórficas
São várias e espalhadas por diversos pontos da aldeia, em terrenos particulares.
     
- Calçada Romana

- Ruínas das Minas de Volfrâmio
Uma das mais importantes minas de volfrâmio na época da segunda guerra mundial localiza-se nesta freguesia.

Penedo dos Mouros
Penedos dos Mouros são afloramentos graníticos do Calcolítico e Idade do Bronze, que se localizam nas proximidades da povoação.


 - Fontes


Existem  várias  fontes espalhadas pela aldeia, onde antigamente os seus habitantes se abasteciam.



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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Artesanato: Caixas

2017 foi ano de caixas. Eis mais duas que fiz para presentear amigas na quadra natalícia.










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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Lisboa: Palácio Nacional da Ajuda

Lisboa é uma cidade com uma grande oferta de locais interessantes  para visitar. Um deles é o Palácio Nacional da Ajuda, que visitei há tempos.

Este palácio foi mandado construir por D. José, após o terramoto de 1755, no alto da Ajuda, zona da cidade que considerava segura, uma vez que o Palácio Real (Terreiro do Paço) ficara destruído pelo terramoto e maremoto.
Assim, foi construído um palácio em madeira, para melhor resistir aos abalos sísmicos, que ficou conhecido por “Real Barraca”. Ali residiu a família real durante alguns anos.
Mas se a madeira era segura contra sismos, não o era contra o fogo e um incêndio viria a destruir o Palácio e todo o seu recheio.
Então, em 1802 deu-se início à construção dum novo palácio que nunca chegou a ser concluído, pois  as guerras napoleónicas provocaram a fuga da família real para o Brasil.

Só no reinado de D. Luís, uma parte do  palácio passou a ser residência oficial da monarquia portuguesa, que se prolongou  até à instauração da República.
Actualmente, o palácio funciona como museu, estando abertas ao público algumas divisões dos aposentos reais, no piso térreo e  as salas do andar nobre, no primeiro piso.

No restante edifício, estão também instalados a Biblioteca Nacional da Ajuda, o Ministério da Cultura, a Galeria de Pintura do rei D. Luís I, a Direção Geral do Património Cultural e a Presidência da República.

Junto ao Palácio existe a torre do galo, que   é o que resta da  torre sineira da igreja do palácio que ardeu totalmente.

Eis mais algumas imagens:










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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Lenda de Nª Sª do Cabo

Já diversas vezes aqui escrevi sobre o Cabo Espichel, situado bem próximo da localidade onde habito. 
Desta vez, transcrevo  a lenda de Nossa Senhora do Cabo, que por acaso, encontrei na net.


Ano de 1215. Em Portugal reinava el-rei D. Afonso II. O Inverno tinha entrado duro. O vento zunia, impertinente e bravo. A chuva era grossa e caía sem pressa de chegar ao fim. O mar bramia, revoltado pelos assobios e açoites do vento. Enfurecido, arremessava-se de encontro às rochas que bordam a costa portuguesa. Joguete das ondas, surgiu mesmo em frente docabo Espichel uma nau que pertencia a um mercador inglês, senhor de grande fortuna e génio aventureiro. Com o cair da noite, a tempestade aumentava. A bordo viviam-se momentos trágicos. Apesar da coragem da tripulação, o navio parecia desfazer-se de momento a momento, batido como um simples brinquedo pela ventania brutal e pelo bailar diabólico das ondas revoltas. Então, no desespero causado pela tragédia, os homens recorreram ao padre Hildebrando, frade eremita dos agostinhos, que os acompanhava. O padre — dizia-se — trazia consigo uma pequena imagem milagrosa. Um dos marinheiros mais afoitos gritou: — Padre, salvai-nos! Só vós podeis ajudar-nos! Os outros fizeram coro: — Salvai-nos, padre! O padre, que parecia meditar, quase indiferente ao espectáculo que o rodeava, ergueu o olhar para os que pediam a sua ajuda. Falou-lhes:
— Tende calma, meus filhos! Tende coragem! Deus há-de valer-nos! Deus e Nossa Senhora, cuja imagem sempre me acompanha. Vou buscá-la para que a possais contemplar. E tende fé, muita fé! Ela há-de fazer mais este milagre!
O marinheiro que primeiro havia falado gritou, cortando o barulho da tempestade:
— Deus o oiça!
Os outros imploraram:
— Que Nossa Senhora nos salve!
O padre, conforme pôde, pois os balanços da nau eram fortes, foi buscar a imagem. Mas, quando regressava, uma onda mais alta cobriu os homens. Houve gritos, alarido, entre o escorrer da água do mar. Quando a onda passou, os homens estavam todos. Bem se olhavam, tentando localizar-se. Mas o padre juntava as mãos vazias num gesto desesperado.
Gritou:
— Meus filhos! A santa imagem desapareceu!
Logo os homens se lamentaram em altos brados:
— Estamos perdidos! Perdidos!
O padre pareceu recobrar a calma.
— Não devemos perder a fé! Oiçam-me! Vamos ajoelhar conforme pudermos. Aproximai-vos de mim! E faremos em conjunto uma oração, como se fôssemos um só. Dizei comigo: «Ave, Maria… cheia de Graça...».
A oração sobrepôs-se à tempestade. E quando chegou ao fim, os homens não podiam crer no que os seus olhos viam. Por estranho milagre tudo se transformara. As ondas tinham acalmado. O vento deixara de soprar. A chuva não caía mais. E uma luz intensa iluminava o Oceano. Luz tão bela e tão forte como a que, segundo contam os antigos, surgira naquela noite singular em que a Virgem Mãe dera à luz o Menino Deus!
A manhã raiava. O dia nascera claro. Alegres como crianças, os homens pisaram terra firme. Com eles ia o bom padre Hildebrando. E foi ele quem fez a maravilhosa descoberta. Cheio de alegria, gritou:
— Olhai, meus filhos, olhai!... Reparai para esta caverna do cabo! Depressa! Quero que verifiqueis com os vossos próprios olhos! É ela, não é verdade? É a imagem de Nossa Senhora que eu trazia!
Os homens haviam acorrido e olhavam surpreendidos tão precioso achado. Lá estava, de facto, numa das pequenas cavernas do cabo Espichel, como se tivesse sido posta ali por mãos divinas, a pequena imagem de Nossa Senhora, envolta numa autêntica auréola de luz. Padre Hildebrando exclamou com unção:
— Foi um milagre que agradeço ao Céu!
E voltando-se para os marítimos:
— Meus filhos! Agora já vos posso dizer toda a verdade! A imagem que observais foi talhada e feita pelos próprios anjos! É única no mundo! Ajoelhai, meus filhos!
Os homens ajoelharam, em muda contemplação. Só os seus pensamentos se elevaram numa prece nem sempre bem definida.
E conta a lenda velhinha que, a expensas de toda a tripulação e com o consentimento superior, ali mesmo se construiu uma capelinha para guardar tão preciosa imagem. Como capelão, ficou o padre Hildebrando. E assim começou a história de Nossa Senhora do Cabo Espichel.
Os anos passaram. Dois séculos, talvez. E foi por volta do ano 1410 que um velho de Alcabideche teve, certa noite, uma visão de espantar. Estava ele no quintalório da sua casinha quando viu subitamente, lá ao longe, uma estrela muito luminosa, muito brilhante. Tentou o velho localizá-la e calculou que essa estrela devia estar sobre o cabo Espichel.
A pé, a distância de Alcabideche ao cabo era grande e difícil. Foi o velho deitar-se, sempre a pensar na estrela. De madrugada sonhou que a própria estrela lhe falara, dizendo:
— Admiras-te do meu brilho, que encandeia os teus olhos? Pois não te admires! Marco uma presença grandiosa: a de Nossa Senhora! Sim... Nossa Senhora está numa lapa do cabo Espichel. Vai lá vê-La e constrói uma nova capelinha, já que a outra foi destruída. Vai, não demores! Nossa Senhora do Cabo espera por ti!
Quando, no sonho, a estrela desapareceu, o velho acordou. Mas passou o resto da noite num sobressalto. Não conseguia conciliar o sono. Assim, mal a alva rompeu, o velho de Alcabideche pôs-se a caminho. Andou, andou, quase sem descansar. Atravessou o Tejo num batel. A noite chegou. Apressou o passo até à povoação mais próxima, e encontrou-se na Caparica, onde, exausto, resolveu pedir pousada. Discretamente, bateu a uma porta. De dentro, uma voz feminina perguntou:
— Quem bate a estas horas?
O velho esclareceu:
— Perdi-me no caminho… e já é noite...
A mulher abriu a porta da casa e ficou-se a olhar o homem. Depois explicou:
— Vivo só... mas pode entrar. Também já sou velha...
O de Alcabideche entrou, agradecendo:
— Que Deus a recompense! Sinto-me, na verdade, tão cansado!
Ela indagou:
— Vem de muito longe?
Sentando-se e suspirando de alívio, ele concordou:
— Sim, venho de muito longe. E ainda terei muito que andar!
Curiosa, ela fez mais uma pergunta:
— Está a cumprir alguma promessa?
Ele meneou a cabeça:
— Não. Correspondo apenas a um pedido.
— Um pedido?
— Sim… e feito por uma estrela!
Ela admirou-se mais:
— Por uma estrela?... Por uma estrela do céu?
— Isso mesmo.
— Como é que isso foi?
— Eu lhe conto.
E, excitado pela recordação do sonho, o velhote de Alcabideche contou a sua estranha história à velhota da Caparica. Não cabendo em si de surpresa, a velhota exclamou:
— Santa Mãe de Deus! O que me diz! Mas isso é espantoso!
O velhote sorriu. E apontou, olhando por uma fresta da janela:
— Vê, além, aquela luz? Lá está a estrela! É ali que está a imagem da Virgem!
Ficou pensativa, a boa velhota. Por fim, disse ao de Alcabideche:
— Vá deitar-se, que precisa descansar. Durma bem, e amanhã voltaremos a falar no assunto.
Mas a velha não se deitou. Ficou olhando pela janela a estrela brilhante. De súbito falou alto, mesmo estando só:
— Como eu gostava de ir ao cabo Espichel! Como eu gostava!
Ergueu o busto. Os seus olhos baços brilhavam a um repentino pensamento. Exclamou:
— É isso mesmo! Vou à frente do velho! A luz me guiará! Vou mesmo de noite. Dentro de pouco tempo será manhã. Eu desejo tanto ir orar à Senhora que está no Cabo!
Disse e fez. Embuçou-se num xaile e saiu, deixando o velho de Alcabideche entregue ao seu profundo sono.
Quando o velho despertou e se viu sozinho, logo compreendeu o que se havia passado. A manhã já ia alta. Afligiu-se por isso, mas disse para si mesmo:
— As mulheres são sempre as mesmas! Para que lhe comuniquei eu o meu segredo? Agora vai chegar em primeiro lugar. Tenho de caminhar tão depressa quanto possa!
E o de Alcabideche partiu em direcção ao Cabo. Estugava o passo. O desejo de encurtar o tempo que o separava da Senhora dava-lhe novas forças. E, assim, apesar da idade e do cansaço que o ia dominando, conseguiu chegar ao cabo Espichel. Porém, o seu primeiro sentimento foi de desânimo, quase de revolta. Ajoelhada aos pés da Virgem, diante da lapa, estava a velha da Caparica. Ele zangou-se:
— Traiçoeira! Se queria vir, ao menos viesse comigo! Fui eu que lhe contei tudo. E foi a mim que a estrela disse para vir aqui!
A velha mostrou-se pouco à vontade.
— Traiçoeira, não! A Virgem pertence a todos! E se vossemecê dormia, porque havia eu de esperar?
Sobrepondo-se à voz da velha, uma voz bonita soou:
— Não se zanguem! Porque não hão-de ser os dois a promover a construção de uma nova capelinha neste lugar?
Os velhos entreolharam-se, primeiro amedrontados. Depois caíram de joelhos, e ali mesmo prometeram pedir a quem pudesse, para se construir a capelinha dedicada à Nossa Senhora do Cabo Espichel. E um raio de sol, como língua de fogo, beijou a cabeça dos dois velhos, absortos na contemplação da imagem da Virgem!
A nova capela foi construída. E ainda hoje lá está uma pedra gravada onde se lê uma inscrição comemorativa do facto.
O tempo continuou correndo. E a feliz aventura dos dois velhos correu paralela ao tempo, tornando-se popularíssima. E como o povo português, na sua alma de poeta, perpetua em verso os factos que sente mais seus, logo surgiu a quadra que ficará de geração para geração:
O velho de Alcabideche
E a velha da Caparica
Foram à Rocha do Cabo,
Acharam prenda tão rica!

Obrigada pela sua presença. Volte sempre!